Archive für September 2008

Uma cerimônia no Itamaraty que mantém viva a memória

Heinz Dressel 

No contexto da homenagem que tomou lugar no Itamaraty, dia 29 de abril, Dia do Diplomata, ao receber a Medalha da Ordem de Mérito do Rio Branco na presença do Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Lula da Silva, lembrei-me de maneira muito intensiva dos acontecimentos ocorridos nos dias 31 de marco e 1 de abril do ano de 1964 que marcaram pelo menos duas gerações de brasileiros. Pensei igualmente daquilo que ocorreu há 40 anos, o golpe dentro do golpe - a publicação do Ato Institucional No. 5, que tornou a “democratura” existente desde abril 1964 em severa ditadura. Nas minhas palestras proferidas na Unijuí-RS duas semanas após a honrosa condecoração em Brasília tive a oportunidade para apresentar uma retrospectiva aos 20 anos de ditadura neste país.

Durante meio século havia observado a história política deste país: de Getúlio a Costa e Silva em condições de convívio. Depois estive muitas vezes no país e conversei com personalidades importantes da vida pública, da política, da igreja, da cultura e da ciência. E lá fora eu convivia com muitos brasileiros desterrados - exilados, refugiados e banidos - banidos por tempo de vida!

Na minha função de diretor da Obra Ecumênica de Estudos, entidade criada pela Igreja Evangélica na Alemanha para apoiar jovens acadêmicos da África, Ásia e América Latina, logo tomei conhecimento das amarguras pelas quais haviam passados milhares de jovens acadêmicos durante as décadas de 60 e 70 pelo governo repressivo que se havía instalado no Brasil.

“O medo de ser jogado nos porrões atormentava a gente de minha geração cada dia”, lembra-se um dos refugiados por nós acolhidos.

Foi este o panorama que nos anos de 70 me levou a apelar aos membros da Junta Diretiva da Obra Ecumênica: “Pode-se comparar a situação dos latinoamericanos perseguidos com a situação dos Judeus no “Terceiro Reich”, que eram condenados de viver com o medo permanente de serem procurados o pela polícia, ou pela SS e serem transportados para um campo de concentração mortal. A Igreja não deve ignorar os acontecimentos nos países sul-americanos.”

Em 1974 recebemos - entre outros - um estudante da UnB, Lúcio Castelo Branco, seqüestrado, preso, torturado e posto em “liberdade”. Acolhemos este jovem acadêmico, já que ele não encontrou condições de segurança em termos de integridade física para seguir estudando no Brasil. O convidamos para absolver um curso de língua em Bochum, para depois de ter prestado o exame de proficiência no vernáculo fazer o doutorado na universidade de Nürnberg/Erlangen. A história dele não preciso contar aqui; encontra-se no tomo BRASIL: NUNCA MAIS apresentado pela Arquidiozese de São Paulo 1985 (pg. 207).

Outro brasiliense era o estudante de Sociologia João Carlos de Moura. Observei que nos anos de 1972 - 73 entre os refugiados brasileiros havia um elevado número de estudantes ou professores de Sociologia e de Filosofia, inclusive professores destacados como o saudoso professor gaúcho Gerd Bornheim. Obviamente os militares tentaram de erradicar a inteligencia política.

Em 1973 - 74, no período pós-golpe-Chile chegaram refugiados acadêmicos de destaque, como o exilado líder da UNE, José Serra, em 1973 membro do FLASCO, entidade das Nações Unidas em Santiago. Serra com sua família havia-se refugiado na Embaixada da Itália de outubro até maio. Já no mes de novembro ele estava em poder de uma carta minha que anunciava o nosso socorro. Com a Embaixada cercada por troupas golpistas apenas em maio de 1974 o refugiado conseguiu de sair do Chile. O recebia no aeropporto de Düsseldorf e logo fomos embora rumo ao campus da Obra Ecumênica em Bochum.

Logo depois do golpe de Pinochet chegou em Europa uma turma de brasileiros “banidos por tempo de vida”, sofrendo o segundo exilo, entre eles Marijane Vieira Lisboa, esposa do carismático presidente da UNE, Luis Travassos (que, recem retornado ao seu país perdeu a vida num acidente de transito em 1982), Samuel Arão Reis, estudante de Economia, com sua esposa Irene Reis Loewenstein e sua filinha Tania. Os pais da Irena, judeus que em 1936 emigraram da Alemanha nazista rumo ao Brasil, onde 36 anos mais tarde a filha Irene ficou perseguida, refugiou-se no Chile e procurou finalmente socorro no país do qual seus pais se haviam salvados há uma geracao. Integraram a turma dos banidos também o técnico de enfermagem Irany Campos, Reinaldo Guarany Simoes e Maria Auxiliadora Barcellos Lara. Todos eles e elas fizeram parte daquela “juventude de `68″ que acreditava no slogan que se tornou em símbolo na famosa Passeata dos 100 Mil no dia 26 de junho de 1968: „O povo organizado derruba a ditadura.” Havia tamberm outros que entonaram versam mais agressiva do slogan, gritando: „O povo armado derruba a ditadura.” Era uma coligacao de intelectuais, artistas, religiosos, operários, estudantes e os pais dos jovens, que rejeitaram o sistema implantado pelos militares, os quais não haviam hesitado de matar até adversários muito moços, como aquele aluno de escola secundária Edson Luis Lima Souto, que havia chegado de Belém do Pará para morrer pelas balas dos militares no Rio durante uma demonstracao na Rua 1° de Março no dia 28 de março de 19668. Contra aquele regime de terror haviam protestato 50.000 cidadaos que no dia seguinte acompanharam a marcha funebre que se tornou memória histórica do povo brasileiro.

Seja-me permitido de fazer um breve comentário junto à esta última, a Dora:

Presa em 1969, severamente torturada no presídio de Bangú, Rio de Janeiro, e Linhares, Juiz de Fora - depois de 2 anos com outros 69 presos políticos foi trocada pelo Embaixador Suíço Giovanni Enrico Bucher, seqüestrado pela guerrilha urbana que na época agia. Os banidos por tempo de vida foram acolhidos no Chile de Allende.

Depois do golpe do dia 11 setembro de 1973 eles procuraram proteção na Embaixada Mexicana até que conseguiram um vôo rumo à Bélgica. Em janeiro de 1974 encontrei-me com este grupo na casa dum refugiado gaúcho em Colônia. Em fevereiro todos eles foram admitidos como bolsistas da Igreja Ivangélica. na Alemanha.

Em outubro a Dora imatriculou-se na Universidade Livre de Berlim. Pouco antes do exame final do curso de Medicina lamentavelmente ela teve de ser intern<ada para tratamento psiquiátrico na Clínica de Psiquiatría Berlim-Spandau onde logo a visitei. No dia 1 de junho de 1976 ela chocou-se contra um trem da Metro e morreu uma morte muito cruel. Não pode ter dúvidas de que esta catástrofe pessoal da moça foi uma reação tardia devido ao trato brutal durante a prisão em 1969. Existem depoimentos da presa nos protocolos de seus processos - p. e. na 2ª Auditoria da Marinha - que comprovam as crueldades pelas quais passou nos porroes da ditadura. O caso dela inclusive foi incluido no livro Direito à Memória e à Verdade, Comissao Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Brasília 2007, pg.418.

Na lista de nossos bolsistas refugiados brasileiros consta muitos nomes. O último brasileiro exilado foi Flávio Koutzii a quem em 1980 outorgávamos uma bolsa para um curso acadêmico em Paris.

Hoje todos nós - os que foram acolhidos em momentos difíceis, e os que estenderam a mão para recebe-los - hoje todos nós somos felizes que no Brasil instalou-se um governo democrático.

Estive na Capital do Brasil pela primeira vez em 1972. Lembro-me que na chegada do vôo da Varig no Rio um inspetor da saúde entrou e fumegava o avião com detefon. Aí um jogador dum time de futebol que havia embarcado em Casablanca disse de voz alta: “Agora tudo que não presta está morto!” Era este o clima no país. A gente andava na Capital até com medo do governo.

Agora, uma geração mais tarde, o governo me honra numa cerimônia inesquecível! Não é o mesmo governo de então, graças a Deus, mas é o governo da mesma nação! Que mudança!

Nie wieder! Nunca mais! Nunca más vivirlo!

Seit Mitte der 50er Jahre (Paraguay!) bis in die 80er Jahre hinein hatte eine beträchtliche Zahl von Völkern in ganz Lateinamerika - von El Salvador über Nicaragua bis zum Feuerland - unter der brutalen Repression von Militärdiktaturen zu leiden. Für viele Menschen in den betreffenden Ländern - z.B. Brasilien, Chile, Argentinien, Paraguay, Uruguay (und auch Bolivien und Peru sind nicht zu vergessen) - waren diese leidvollen Jahre die Hölle. So haben sie es selbst empfunden.

„Die Angst, ins Gefängnis geworfen zu werden, begleitete die Angehörigen meiner Generation ständig”, erinnert sich ein früherer Stipendiat des Flüchtlingsprogramms, das wir im Ökumenischen Studienwerk Bochum eingerichtet hatten. Ein prominenter Zeitzeuge aus Argentinien schrieb im Frühjahr 1977: „Jeder vernünftige Mensch weiß, dass er jeden Augenblick aus seinem alltäglichen Leben herausgerissen und in ein Reich unvorstellbaren Horrors hineingestoßen, dass er verhaftet oder entführt werden kann.”

Irrationale Gewalt prägte das gesamte Leben des argentinischen Volkes. In Chile hatte sich das Militär bereits 1973 an die Macht geputscht. Ein gutes Jahr später wurde bekannt, dass in 22 Folterzentren Inhaftierte häufig mit unsäglicher Brutalität zu Tode gequält worden waren. Binnen eines guten Jahres waren 1.800 chilenische Bürger „verschwunden”. 2004 sprach die Comisión Valech - nach ihrem Vorsitzenden, Bischof Sergio Valech, benannt - von 28.000 Zeugen, an deren Aussagen über die von der Repression begangenen Grausamkeiten es keinen Zweifel gab. In Paraguay befand sich Stroessner bereits seit 1954 an der Macht. Brasilien wurde seit 1964 von Militärs regiert. Bolivien ächzte seit 1971 unter der Herrschaft Banzers.

Ausgehend von den USA, hatte sich auf dem gesamten Kontinent die neue Heilslehre der „Nationalen Sicherheit” wie ein Krebsgeschwür verbreitet. Es herrschte der „kalte Krieg”. Der „kubanische Schock”, eine hysterische „Castrophobie”, hatte auf dem Kontinent das Gefühl der unmittelbaren Bedrohung durch den internationalen Kommunismus verstärkt. Der „Plan Condor” oder die „Operação Condor” überzog den gesamten Kontinent.

Die neue Staatsphilosophie, die auf dem Gedanken der der „Segurança Nacional” beruhte, und die das Übergreifen des Kommunismus auf die Völker Lateinamerikas verhindern sollte, wurde vornehmlich über die Indoktrination Zig-Tausender von lateinamerikanischen Offizieren, die durch die Militärakademie der USA in Panama gelaufen waren, verbreitet. Deren Feindbild orientierte sich nicht so sehr an der Annahme einer „äußeren Aggression”, sondern am internationalen Kommunismus, der es verstanden habe, in die eigene Gesellschaft einzudringen.

Der Mythus von Che Guevara schien diese Sicht der Dinge voll zu bestätigen. Die in den einzelnen Ländern Lateinamerikas zu beobachtende Unruhe sei eine Folge derartiger ideologischer Unterwanderung. Solche Subversion, die von ihr ausgehende Gefahr und ihre potentiellen Auswirkungen gelte es mit Hilfe des Instruments der „Nationalen Sicherheit” zu bekämpfen. Der „Condor” flog überall in der Region.

Zur effektiven „Bekämpfung des subversiven Krieges” wurde systematisch die Folter eingesetzt. Wir wissen, daß diese häufig Tod und „Verschwinden” zur Folge hatte. Der chilenische Präsident Lagos brachte es im Jahre 2004 klar zum Ausdruck: „Die Folter entsprach der Politik des Staates.” Der Oberbefehlshaber des Heeres, General Juan Emilio Cheyne, hat die institutionelle Verantwortung bezüglich der vormals geschehenen Mißbräuche” oder „Fehler” - wie er es nannte - nolens volens anerkannt.

Inzwischen sind 30 Jahre übers Land gegangen. Leider ist der kollektive Aufschrei „Tortura Nunca Mais”, „Nunca más vivirlo” - Nie wieder Folter! - weltweit gesehen nur ein frommer Wunsch geblieben. In der Zwischenzeit hat die Welt das Grauen von Srebreniza erlebt und den Skandal von Guantanamo sowie die Schande der Folterungen durch US-Soldaten im Irak.

Und nicht nur dies: In Argentinien tauchte im Dezember 2006 plötzlich das Gespenst der desaparición, das fürchterliche Phänomen des Verschwindens von Personen, wieder auf. Diesmal hatte es den 77-jährigen Jorge Julio López erwischt, der in einem Prozess gegen einen bekannten Folterer geschildert hatte, was er seinerzeit an Schrecklichem erlebt hatte. Es war der erste Verschwundene im demokratischen Argentinien. Und es war alles wieder genau so wie 1977: Keiner wusste irgend etwas, aber López war verschwunden. Die Schrecken der finstersten Zeit der Nation waren wieder gegenwärtig. Es war als ob die Geschichte sich einfach wiederholen würde. Und diejenigen, die das Inferno des Schmutzigen Krieges überlebt hatten, oder ihre Angehörigen, zitterten erneut vor den “Operationen” der Polizeikräfte genau wie anno 1977.

Weil wir, die Älteren, Zeugen dieser Ära des Schreckens waren, dürfen wir heute, da in Lateinamerika bessere Zeiten aufgezogen sind, nicht schweigen. Übrigens führen uns Beispiele wie das des „Verschwindens” jenes argentinischen Zeitzeugen Jorge Julio López erschreckend vor Augen, dass der „Condor” noch immer fliegt!

Und den Jüngeren, die mit solchen Namen wie Stroessner, Médici, Videla, Somoza, Pinochet, Banzer oder Fujimori vielleicht keine Vorstellung mehr verbinden, sei die Wahrheit ans Herz gelegt, dass uns die Rückschau auf die eigene Geschichte auf unserem Weg in die Zukunft ebenso zu orientieren vermag, wie der Blick in den Rückspiegel den Autofahrer vor Gefahren schützen kann.

Ich freue mich über die mir liebenswürdigerweise gebotene Möglichkeit, per latinotopia insbesondere auch unsere lateinamerikanischen Freunde „in der Diaspora”, ansprechen zu können und möchte sie mit einem fuerte abrazo herzlich begrüßen. Ein portugiesischer Text über ein für mich überaus markantes Ereignis in Brasília mag zugleich als eine Art von Vorstellung gegenüber denjenigen Lesern, die mich bisher nicht kennen, dienen.

Heinz F. Dressel

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